Com apenas 16 anos, Benjamin Sallum é um garoto como outros da sua idade. Costuma sair de rolê com os amigos e frequenta algumas das festas de música eletrônica mais underground da cidade de São Paulo. A diferença é que ele não vai curtir essas baladas como público (nem poderia, pois é menor de idade), mas sim trabalhar: Sallum é DJ e produtor de techno e house. Prodígio, o garoto teve influência direta da mãe --que é promoter na noite paulistana-- e de seus amigos, grande parte formada por DJs e clubbers. Foi apresentado às batidas eletrônicas desde cedo, em festas e afters caseiros, e logo nutriu o interesse pela produção e discotecagem.

Não demorou muito, então, para que começasse a chamar atenção devido ao seu talento. A DJ Cashu, amiga de sua mãe, foi quem o apresentou para L_cio em 2014, que virou praticamente um mentor de Benja. "O L_cio, quando soube que eu tocava, me deu de presente a minha primeira controladora", conta. O professor, aliás, aposta muito no talento do garoto. "Assim que soube que ele já mexia no live e fazia DJ sets e edits, me encantei e insisti para que ele fizesse seu próprio live. A partir daí, pude colaborar um pouco com sugestões e algumas horas de estúdio e mixagens com ele", diz L_cio.

Depois disso, começou a mostrar seus dotes como DJ e produtor nas festas underground da cidade, como a Mamba Negra e a Capslock. Já mostrou seu poderoso live também na Voodoohop, na Blum e na carioca La Folie. Agora, além de estar tocando em outras cidades fora do eixo Rio-São Paulo, acabou de fazer uma faixa que entrará num compilação brasileira a ser lançada pelo prestigiado selo Get Physical. Nada mal para um começo de carreira, não é mesmo?

Batemos um papo com Sallum para conhecer um pouco a sua breve, porém intensa, história com a música eletrônica --que, com certeza, ainda deve ter muitos capítulos pela frente...

Como e quando surgiu o seu interesse por música eletrônica? Creio que foi quando descobri uma pasta no iPod de um amigo da minha mãe chamada "Techno mix von Daniel". Lá tinha de Tobias Freud a DJ Koze. Sempre fui chegado em sonoridades industriais, rápidas, obscuras. Naquela época, minha banda preferida era Emperor e eu tinha bastante preconceito com música eletrônica, mas isso se quebrou quando percebi que Faust e Tobias tinham algo em comum.

Você teve influência de sua família ou amigos para entrar no mundo da eletrônica? O que me influenciou mesmo a gostar de musica eletrônica foram as festas que comecei a frequentar em meados de 2013 e 2014.

E como você aprendeu a tocar e produzir? Eu aprendi a produzir depois de uma série de encontros com o DJ Laércio (L_cio) no final de 2014. Aliás, taí um ótimo professor! Haha!

O que os seus amigos da sua idade falam sobre você ser um DJ e já tocar em baladas? Meus amigos acham um máximo! Inclusive, diria que 70% deles produzem música e que uns 40% desses se dedicam à música eletrônica. Já disse isto em outras entrevistas: é como se o estereótipo de ter uma banda na adolescência de antigamente virasse o de ter um live act hoje em dia.

Quem são seus ídolos na música? Há alguns DJs que te inspiram?
Eu não sou muito de idolatrar ninguém, mas minhas principais referências são Pedro Zopelar e L_cio, e sou muito grato de poder tocar e participar de projetos com eles.

E... todo mundo quer saber: como você consegue tocar nas boates sendo menor de idade? Sempre rola alguma "bad". Eu já perdi muitos gigs devido à minha idade. Tocar em festas underground é mais tranquilo, agora, quando envolve clubes e marcas, normalmente não rola, eles barram mesmo. Eu fico puto, pois parece que tenho um trabalho ilegal, hahaha.

Como você concilia a escola com as festas em que toca? É muito difícil? Bom, atualmente eu estou fora da escola, mas era bem de boa a época em que eu trabalhava à noite e estudava de dia. Rolavam algumas faltas, mas nada mais.

Como você se vê daqui a dez anos? Eu realmente não sei, essa é uma pergunta muito difícil e relativa, mas espero ainda estar produzindo música!

Que tipo de elogios e críticas você costuma ouvir de quem está nas festas? Já recebi bastante críticas em relação à qualidade do meu som. Por eu fazer live e fazer minhas próprias mixagens, a qualidade acaba não sendo a mesma de uma música masterizada. Porém, já recebi também muitos elogios em relação à minha idade e à maturidade da minha música, acho isso bem massa.

Normalmente você toca pra gente muito mais velha que você, né? Como encara essa responsabilidade? Apesar de ser um trabalho, eu tento sempre encarar como uma diversão, acabo deixando o nervosismo de lado e tentando me sentir o mais relaxado possível. É muito interessante tocar para um público mais velho, apesar de exigir uma certa responsabilidade, sim. Eu vejo cada gig como referência para aperfeiçoar meu som e a minha performance ao vivo.